Dia 10 de novembro de 2008… nunca tinha passado um perrengue desse tamanho.
Pra quem não sabe…. eu tinha uma bike de dez anos de idade, queria economizar no combustível para o trabalho (que é bem perto da minha casa) e de quebra fazer algum exercício. Não poluir o ambiente, bla bla bla, tb estava contando pontos a favor. Comprei um kit (bateria elétrica + motor no meio do cubo da roda) para adaptar qualquer bike e torná-la uma mini-moto… vc ainda pedala junto se quiser, e foi fundamental para eu ter coragem de encarar a rua do meu trabalho (que é uma ladeira nada convidativa) todos os dias… esse motor não aguenta subir a ladeira sozinho, mas ajuda pacas a pedalada.
Uns 2, 3 meses usando meu novo veículo no lugar do meu carro e um belo dia, saindo da casa da minha ex-namorada (que tb era era uma ladeirinha ingrata), indo para o trabalho, aperto os freios de leve na ciclovia da lagoa… segunda-feira.. 9h… era pra ultrapassar outro cara de bicicleta.. só lembro da música no fone, da desviada para a esquerda, leve apertão nos freios… a pancada do meu ombro no asfalto e bater a cabeça…. agora eu estava no chão.
checando… não atropelei ninguém. ok
nenhum carro desgovernado avançou a ciclovia e bateu em mim. ok
não desmaiei. ok
não estou no meio da rua. ok
só meu braço esquerdo acusa a queda… minha cabeça dói, mas pouco. ok
olho pra bike.. a roda da frente está caída no meio do quadro. a bike quebrou comigo em cima.
agora eu entendi…. todas as descidas de ladeira freiando ambas as rodas forçaram o eixo entre guidom e garfo… há uns dias eu até tinha achado estranho a flexibilidade dela nesse eixo, mas não investiguei. idiota!
passa um casal de bike do meu lado.. olha… e vai embora…. a humanidade não parava de me surpreender. consigo ficar sentado no chão sozinho… ajeito a mochila com medo de assalto. um cara pára a 2m e pergunta se tá tudo bem… eu respondo rindo “acho que sim!” ele se oferece a chamar uma ambulância… eu levanto instintivamente sem usar as mãos… pego o celular do meu bolso-cargo direito.. a mão direita só está ralada por cima… a esquerda tb… mas tem alguma coisa na mão esquerda…. tem alguma coisa um pouco errada…
sei q minha mãe está em casa.. do lado do acidente.. ligo pra ela… tento não apavorá-la, mas agora percebo q minha respiração está curta demais… adrenalina bombando pelo corpo junto com todas as químicas que te deixam muito alerta e hiper ligado.repito meu nome, idade, dia da semana e do mês sozinho.. tento lembrar dos nomes das ruas… checando integridade cerebral. ok
digo onde estou e que cai de bicicleta, mas que está tudo bem… só quero tirar um raio-x do punho esquerdo pra desencargo de consciência… queria ir pro trabalho logo, pois ia me atrasar.
vou lá pegar o que sobrou da bike e colocar no canteiro central.. local onde sugerí que ela me buscasse para que o carro pudesse parar com calma, quatro rodas na calçada.
eu olho pro punho e até ensaio pegar a bike com a mão direita e só apoiar com a esquerda… mas com a roda da frente pendurada pelos cabos de freio e marcha, vai ser difícil. o motorista de alguém do prédio em frente cruza a rua depois que eu o chamo para ele me ajudar a levar a bike. ficou todo cagado de graxa, coitado… teve q ir trocar as roupas pra trabalhar. ele fica até minha mãe chegar.. me ajuda a tirar a mochila. meu punho começa a inchar muito.. o relógio está ficando estufado.. pergunta se quero que ele tire o relógio para mim.
“por favor”
ele mesmo diz que se tivesse quebrado eu ia estar com muita dor. Estou só com um incômodo chato e um certo medo. toco bateria a 14 anos. baterista não pode quebrar ou ter defeitos em nenhum dos membros… acho que é o único músico que não pode se ferrar em lugar nenhum….
mamãe já ligou 3 vezes desesperada.. acalmo ela em todas, dizendo novamente onde estou e qual a melhor rota para chegar lá… a boca está seca… ela chega, o motorista me ajuda a colocar a bike na mala do carro.. entro no banco da frente, coloco o cinto e fico com o corpo inclinado para frente… desa forma minha mão não enconsta em lugar nenhum e imobilizo a mão esquerda com a direita… copa d’or…
ortopedia. cortaram as mangas da minha camiseta. raio-x. gesso provisório para estabilizar. o raio-x está com problemas. ligo pro trabalho. minha namorada chega. minha mãe se acalma um pouco. o raio-x não sai. perambulo pelo ambulatório. já sou amigo do sambista que engessa todos ali. o raio-x não sai. coloco uma tipóia. alívio. só do braço, pq o raio-x não sai. a manoela do jurídico no meu trabalho me liga pra falar de contrato. o médico entra com a notícia. peço pra ligar pra ela depois, já estarrecido. quebrado. e tenho q ir pra cirurgia.
pensamos e ligamos para contatos e mais contatos… Dr Ricardo Laranjeiras, que está com o caso da Jade (ginasta que tem um osso no meio do punho necrosando e tem sua jovem e curta carreira ameaçada) é quem vai operar. eu só tenho uma exigência: voltar a tocar bateria como sempre fiz. Me dizem que só vai depender de mim. Quero só ver.
vou para o quinta d’or.. no mesmo andar (pediátrico) da vez que tirei o apêndice 5 meses antes.. a chefe de enfermagem da noite já é minha amiga.. eu respondo “cliente bom volta né?”.
….imbecil….
de manhã, um dormonid sublingual.. minha e mãe e namorada comigo. meu pai me liga.. estou meio grogue.. a anestesia vai ser do plexo para o braço.. dessa forma tenho menos dor no final da cirurgia… vou ganhar uma placa e sete parafusos de presente de aniversário antecipado.
mão roxa e inchada.. 5 médicos à minha volta dizendo “mexe os dedos!!!!” caralho! ta bom.. mexo sim…. “é pra mexer o tempo todo” .. caralho duas vezes.. mexendo os dedinhos…ok
vou pra casa… explico tudo no trabalho.
dois meses de fisioterapia.. um término de namoro no meio… e eu toco bateria como sempre….
um mês atrás comprei uma bike nova… instalei tudo de volta nela…. no fear
a última coisa que eu vi antes de cair... e a prova cabal.. o buraco deixado pela parte quebrada da frente do quadro. clique para ampliar
minha nova bike motorizada.....
foi com esta camiseta cinza que eu caí… fiz esses vídeos tocando bateria com ela propositalmente…
Bom, como eu vivo falando de coisas do futuro que nos alcançam, aqui vai mais um…
Lembram do “de volta pro futuro 2″ onde o Mcfly entra num barzinho saudosista da década de 80 e joga um arcade? Na sequência entra o Elijah Wood (é galera.. o pivetinho-enchedor-de-saco da cena é o Elijah com 12 anos de idade fazendo ponta em filme grande) e fala: – esse jogo é uma droga… vc precisa usar suas mãos???…” pelo visto, mais uma vez, a vida começa a chegar nos calcanhares da arte…
Pois bem… esse aí vc usa ondas cerebrais para fazer vários truques com as bolinhas roxas da foto.
Por falta de vídeos que exemplifique (e prove) o que eu estou falando, coloco a baixo OUTRO joguinho “de tabuleiro” que usa o mesmo princípio.. esse (é claro) diz que serve para treinar seu uso da “força” fazendo uma bolinha subir e descer.
Conforme meus grandes papos seguidos de “Psius” fantasmagóricos, se tem uma coisa assustadora que eu acredito acontecer em breve é tornar o ser eterno, assim como o mun-há, so que bem mais “bionitinho”. Eu tenho certeza que ainda vou ver (ou sentir) uma horda de robôs destruindo minhas células velhas, ruins, doente e viciadas e só deixando meu corpo replicar as saudáveis, boas e jovens…. é não morrer, por não ter degeneração celular…. e pelo visto a corrida já começou….
SÃO PAULO – Pesquisadores israelenses criaram uma mosca robótica em miniatura que pode percorrer as artérias e veias do corpo para diagnosticar e tratar problemas.
O Robotics Laboratory , parte do Israel Institute of Technology, em Haifa, trabalha há alguns anos desenvolvendo protótipos inspirados em animais.
A mais recente criação foi desenvolvida pelo professor Moshe Shaham e sua equipe: uma mosca em miniatura, com um milímetro de diâmetro, que pode entrar no corpo para, por exemplo, detectar artérias bloqueadas e entregar medicamentos em tumores.
Baseado na tecnologia MEMS (Micro-Electro-Mechanical Systems), o pequeno robô é direcionado por um imã controlado de fora do organismo. Seus minúsculos braços se agarram nas paredes das veias para que ele alcance a região desejada.
Variando o campo magnético por meio de um controle remoto, os pesquisadores movem a mosca a velocidades de 0.35 mm por segundo. Como a unidade de controle é externa, o robô pode funcionar por um período ilimitado de tempo, sem a necessidade de recarregar a bateria durante o procedimento.
O laboratório pretende ainda adicionar uma câmera ao protótipo, o que possibilitaria terapias de radiação de curta distância, usadas principalmente para tratar câncer de próstata, pescoço e cabeça. O robô ainda deve ter seu tamanho diminuído em dez vezes, para tornar os tratamentos e diagnósticos ainda menos invasivos.
Entre as outras pesquisas do Robotics Lab está um outros pequeno robô que visa auxiliar a medicina mas, ao invés de escalar, ele nadaria nos fluídos corporais. O projeto poderia ser usado para os analisar melhor as regiões do cérebro e espinha, e se baseia em uma antiga estrutura biológica para nadar: os flagelos encontrados nos espermatozóides.